"Dinâmica Geográfica do Trabalho no Século XXI"
(Limites Explicativos, Autocrítica e Desafios Teóricos)

Autor: Antonio Thomaz Júnior
Departamento de Geografia
Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT)
UNESP / Faculdade de Ciências e Tecnologia
Presidente Prudente, SP


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RESUMO

         A trajetória que percorremos após o Doutorado, ou seus principais aspectos, encontra-se nos quatro volumes deste trabalho de Livre Docência. Nossa opção pela discussão crítica da obra nos estimulou a oferecer parte da nossa produção individual e em coautoria - ou coletiva -, mas que rigorosamente representasse nosso esforço de reflexão sobre a temática do trabalho na Geografia. Mais que isso, apresentamos o que vimos demarcando, nos últimos anos, ou as dificuldades de entendimento da rica trama de relações que atinge o trabalho, produto das redefinições estruturais por que passa o modo de produção capitalista em escala planetária, e os desdobramentos (re)estruturantes em marcha.

         É desse processo que se fazem presentes as novas identidades do trabalho, territorialmente expressas na plasticidade que se refaz continuamente e que extrapola os limites do rural e do urbano, da cidade e do campo. Por sua vez, ele redefine constantemente as profissões, habilitações, especializações, deslocamentos, migrações, o espaço de relações e a demarcação das territorialidades da luta de classes, sem contar o quadro mais perverso da reestruturação produtiva do capital, no século XXI, ou seja, o desemprego estrutural ou o descarte do trabalho. Por outro lado, também modifica, em intensidade, o perfil dos homens e das mulheres que trabalham e que demonstram capacidade e potência de luta anticapital. Isso nos ocupou centralmente, pois a nossa indagação sobre quem são os homens e as mulheres capazes, no século XXI, de transformar/emancipar a sociedade e imprimir outro curso histórico para além do capital, respaldou- nos reconhecer as limitações teórico-conceituais, porque as lutas de resistência e as principais manifestações anticapital não se restringem ao proletariado. Assim, a extensão e a complexidade da informalidade, do desemprego (desempregados), dos camponeses, muito mais do que seus significados teóricos, históricos, geográficos e políticos, ocupa lugar de destaque, no ambiente do conflito de classes, e repõe em questão a luta pelo território. Por sua vez, expressa conteúdos anticapital, por exemplo, nos enfrentamentos em torno da reforma agrária, pela moradia e de lutas que se somam a essa, tais como soberania alimentar e energética, contra o latifúndio, os transgênicos, as monoculturas, os monopólios etc.

         Em vista disso, apostamos no pensamento de que a dinâmica do trabalho requer que priorizemos tanto metodológica quanto teoricamente a autocrítica como opção capaz de potenciar compreensões sobre a totalidade do trabalho. Isto é, colocamos em relevo a necessidade de repensar os marcos, as referências e os significados, a priori, da noção de trabalho e de classe trabalhadora, o que reacende a necessidade de um debate profundo sobre a totalidade do trabalho, na perspectiva de classe.

         Enfim, a vitalidade teórica que conferimos à centralidade do trabalho, além de requerer que assumamos seu significado político, ontológico, econômico, exige igualmente que decifremos as diferentes identidades espaciais, territoriais do ser que trabalha, no tempo e no espaço, à base, sobretudo nos tempos do século XXI, de intensa precarização/desrealização/desqualificação/fragilização de contingentes expressivos de homens e de mulheres, e seu potencial revolucionário, o qual reflete diretamente nos movimentos sociais a que estão vinculados.


Texto Crítico do Trabalho Acadêmico para Concurso de Livre Docência
Presidente Prudente, Abril de 2009.
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