Faculdade de Ciências e Tecnologia
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Seminário Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento :::

GEOIDE - Geografia, Investigação para o Desenvolvimento



OBJETIVOS

Este Seminário dá continuidade a anteriores contatos entre docentes e investigadores de Universidades do Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Angola e Portugal organizados sob o lema Geografia, Investigação para o Desenvolvimento [Geoide]. A rede de investigação que assim se organizou tem por objectivo aprofundar o debate sobre as dinâmicas e os processos de reestruturação territorial que estão na gênese das novas e emergentes geografias que se estão a instalar em todos os países de língua portuguesa.

O encontro, além de facultar o contato com a pluralidade de contextos naturais, econômicos, sociais e culturais destes países, permitirá debater as mudanças induzidas pela globalização, as especificidades que assumem consoante as escalas (nacional, regional e local), as manifestações mais expressivas que evidenciam nos diferentes continentes (África, América do Sul e Europa) e países onde se fala português.

Interpretar comparativamente tais mudanças pressupõe uma abordagem multifacetada que, no âmbito deste Seminário, será organizada em torno das seguintes painéis:

1. Biodiversidade, paisagens, riscos naturais
A paisagem, após uma longa história, surge com a missão de sensibilizar e sintetizar, no sentido mais amplo do termo, as questões do território, do meio ambiente, do ordenamento e do desenvolvimento. A paisagem se impôs à pesquisa mais que a pesquisa se impôs à paisagem. Em menos de duas décadas, ela tornou-se um tema central da sociedade. Ela acompanhou o triunfo da imagem e da sensibilidade, do formal e das aparências, do efeito-decoração e do efeito-imagem. Criadora de identidade, ela participa do patrimônio dos indivíduos e das sociedades. Ela tornou-se uma das facetas culturais do meio ambiente. É impensável refletir sobre o meio ambiente e sobre o território sem considerar a dimensão paisagística – equilíbrio entre o rigor de uma necessária racionalidade e a manifestação confusa dos sentimentos. Como abordar a paisagem? Pela sociedade ou pelo planeta? Pela natureza ou pela cultura? Pelo social ou pelo individual? Pelo objetivo ou pelo subjetivo? Pela ciência ou pela poesia?

2. Espaços rurais, povoamento e processos migratórios
As mudanças tecnológicas ocorridas após a Segunda Guerra Mundial redundaram no aprofundamento dos processos de urbanização e de industrialização, os quais foram acompanhados de significativos processos migratórios em direcção às médias e grandes cidades, bem como no povoamento das zonas de expansão das fronteiras agrícolas.

Os espaços rurais receberam novos equipamentos e infra-estruturas, os processos produtivos foram modernizados, enquanto se foi instalando um forte esvaziamento populacional, em decorrência do êxodo rural, e intensificação dos problemas ambientais.

3. Cidade e território: processos de urbanização e práticas socioespaciais
A cidade, no mundo contemporâneo, pode ser pensada como expressão de uma pluralidade de territórios, que se justapõem, sobrepõem-se e se articulam, tanto quanto revelam contradições. Há desde as dimensões mais concretas e objetivas que o conceito de território enseja, até as mais abstratas e subjetivas que a ele também se associam. Enquanto realidade material, a cidade é expressão do processo mais amplo de urbanização e, por tal, revela e dá sustentação a um amplo conjunto de práticas socioespaciais que revelam nossas formações sociais e nossas formas de inserção numa economia e numa sociedade que se mundializa. Neste seminário, pretendemos abordar os atributos e dinâmicas que consideramos mais importantes para debater essa temática nos países de língua portuguesa, de forma a se avaliar interfaces e diferenças. Assim, políticas de regeneração urbana, insegurança urbana, relações com o espaço público, segregação ou fragmentação urbana poderão ser colocadas em pauta.

4. Sociedade, Culturas, Politicas Públicas: processos de mudança e de reestruturação dos territórios
Até os anos 1970 as políticas públicas estiveram vinculadas a visão produtivista e sectorial. As formulações teóricas e as discussões em torno do conceito de território ganharam vulto nos anos 1980 e 1990 no âmbito da Geografia e de outras áreas do conhecimento e passaram a ser operacionalizadas por meio da formulação e implementação de políticas públicas. O principal intuito de tais políticas tem sido o de revitalizar e reestruturar territórios que apresentam baixo dinamismo económico e populacional por meio da criação de infra-estrutura, da inserção de novas actividades produtivas e da valorização do património natural e cultural.